E Deus criou a mulher (1956)

“Et Dieu… créa la femme” (1956)

Realizador: Roger Vadim

Argumentistas: Roger Vadim and Raoul Lévy

Género: Drama

IMDb

auto-biografia cinematográfica

“o problema com o futuro é que está sempre a arruinar o presente”, diz Bardot no princípio. A minha intuição relaciona esta frase com o papel que este filme viria a ter no cinema em anos posteriores.

Este filme é realmente importante. De um ponto de vista sociológico e cinemático. Apesar disso, este não é um bom filme.. Não tem enredo forte, ideia forte ou actores fortes. Mas tem BB e uma revolução no cinema que surgiria apenas 4 anos depois e que mostra as suas garras aqui.

Fenómeno Social

Brigitte Bardot apareceu aqui. A primeira cena garante-lhe um lugar na imaginação colectiva da sociedade ocidental. O resto do filme define uma nova personalidade tipo para um símbolo sexual, que não é assim tão diferente da pessoa vulgar, apenas mais bonita. Este é o filme dela, e ela é a única que se recordará apenas após um pequeno espaço de tempo após o seu visionamento. (ela, não o seu personagem).

Questões cinemáticas

(1) Não posso dizer exactamente até que ponto Vadim estava consciente do que estava a fazer aqui, ou se ele previa que estaa, provavelmente, a começar algo que traria consequências até aos nossos dias. De qualquer forma, o que ele queria contar neste filme era a sua própria história, na qual Bardot era, até esse momento, a personagem principal. Carradine (Jürgens) era, suspeito, o próprio Vadim. Bardot é liberal, faz o que quer, por inocência e juventude. Carradine é experiente, vê tudo ou, pelo menos, sabe tudo, permite tudo, mas sempre controla à distância, sempre preocupado com o que acontece e sempre fazendo planos sobre isso.

(2) A composição já não é antiquada, ainda que o enredo e os temas tratados possam relacionar-se com um ambiente de comédia clássica “ligeira”, usada até à exaustão nesse momento. Os movimentos de câmera são arrojados, apesar de inconsequentes na maioria das vezes. Vadim tenta inovar, apesar de não ser suficientemente competente para o fazer com importância (esse trabalho iria caber a Godard, principalmente, e Truffaut). Também a forma de desenvolvimento-clímax-conclusão não se aplica tão claramente aqui.

Assim, este é (1) auto-referencial ao seu autor e (2) procura uma forma pessoal e inovador de expor uma história (filme sobre cinema). Isso torna-o, talvez, o primeiro filme construído de uma forma “nouvelle vague”, 3 anos antes de “4 cents…” e 4 antes de “a bout de souffle”. Aqui, como em Barbarella, Vadim introduz elementos inovadores, que mudariam o pensamento e cultura pop, sem produzir realmente bons filmes, por vezes quase ao contrário.

A minha avaliação: 3/5 Este é um filme importante não tão bom para se ver.

Este comentário no IMDb

2 Responses to “E Deus criou a mulher (1956)”


  1. 1 Miguel Domingues Julho 8, 2007 às 10:40 pm

    Concordo com mestre Hitch: prefiro outras grandes actrizes, que não têm o sexo estampado no rosto.

    Este espaço está blinkado no meu tasco.

    Cumprimentos.

  2. 2 ruiresende Julho 10, 2007 às 1:33 am

    Hitchock tinha uma relação diferente com as mulheres, por um lado, e com o sexo, em geral. Eu também prefiro Hitch. O cinema é o que interessa.

    Eu tenho um conjunto de espaços que colocarei linkados neste meu pequeno. o (l)imitação da vida é um deles, apenas espera uma pequena actualização que farei nos próximos dias.

    Obrigado pelo comentário e pelas visitas.


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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve