Morangos e chocolate (1994)

“Fresa y chocolate” (1994)

Realizadores: Tomás Gutiérrez Alea; Juan Carlos Tabío
Argumento: Senel Paz

Género: Drama / Comédia

IMDb

Sair para a rua

O cinema é uma arte em si mesmo, não uma soma de artes. Isso acontece porque tem aspectos específicos que não podem ser atingidos sozinhos por qualquer outra arte. Mas o que torna o cinema autónomo como expressão artística é discutível mas terá sempre algo que ver com imagens em movimento (ou dinâmica de imagens estáticas):

. contar uma história
. um ambiente, atmosfera, modo
. factos

Todos são passíveis de ser explorados. Em “Fresa y Chocolate” o problema é que, aparentemente, temos uma mistura dos 3, mistura que pode existir, mas não como acontece aqui. O truque é claro e aparentemente eficiente: uma história simples dentro da História. Esqueça-se a história simples, é o menos importante em si mesma. A História é todo o contexto de Cuba. Vai-se ao geral, realça-se um episódio (que pode, ou não, representar factos) e a partir daí constróe-se o modo, a atmosfera. Este último passo foi o que falhou. E isso foi, a meu ver, pela não definição do “olho” da câmara. Deveriam ter sido dados todos os ingredientes, todas as senhas para o mundo contido (ilha) e o seu contexto específico. Eu estive em Cuba, não faltou muito para mim, eu sei o que não vi no filme, mas ao focá-lo no diálogo (que poderia, pelo seu conteúdo surgir embebido na atmosfera geral) e ao não ter um olho para a rua, as pessoas a cidade, o projecto perdeu imenso. Tinha tudo para poder ser um filme sobre uma cidade. História inserida no espaço, já que a história que nos contam é claramente tipificada, uma entre muitas. Podem ter existido, é certo, questões políticas por trás, e é de uma grande importância que este filme possa ter sido feito, tratando temas locais tão pesados. Contudo, esta é a minha maior crítica; Gutiérrez Alea tinha um excelente olho para o retrato, e para colocar histórias em contexto, mas faltava-lhe o sentido do lugar, em termos de sentidos (a tal atmosfera).

Apesar de tudo, é um bom documento, poderá compensar o tempo que dura, o desenvolvimento dos personagens é excelente, assim como as actuações. A casa de Diego (e os diálogos que a acompanham) contem excelentes mensagens implícitas, os diálogos são cheios (não li a história original) de mensagens, numa forma por vezes não tão subtil. Também uma nota para o excelente uso da cor (bastante cubano).

A minha avaliação: 3/5

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2 Responses to “Morangos e chocolate (1994)”


  1. 1 Vitor Julho 4, 2007 às 12:08 am

    Passei por acaso e gostei. Blog a revisitar regularmente.

  2. 2 ruiresende Julho 4, 2007 às 2:33 pm

    Obrigado pelo apoio. É do que preciso para continuar. Tentarei retribuir as visitas.


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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve