Lisboetas (2004)

“Lisboetas” (2004)

Realizador: Sérgio Tréfaut

Género: Documentário

IMDb

Binóculos

Lisboa está construída sobre colinas. Se caminharmos junto ao rio, em frente à baixa iluminada de Pombal, construída nos destroços do terramoto de 1755 e olharmos para cima, podemos ver todo o centro histórico, protegido pelo castelo. Bonita vista. Subimos, chegamos a esse castelo, e olhamos para baixo, a vista oposta, abraçada pelo rio, também magnífica, também linda. A luz é especial, qualquer amante de cinema deverá sabê-lo, Wenders sabe-o (Lisbon Story). As cores são ocre, amarelo pálido, rosa aguado, e o laranja argilado dos telhados. Quando chegarmos ao castelo, peguemos num par de binóculos, observemos a cidade de cima, tomando atenção ao outro lado do rio, e muita atenção às partes velhas. O amarelo torna-se azul vivo, veremos preto e branco, grandes contrastes, e uma cidade que não vem em postais. Através desses binóculos, poderemos ver este filme.

Lisboa, cidade multi-cultural, cidade de sobreposições. Muitas línguas, muitas culturas, muitas diferenças. Estou contente por ter visto este filme apenas alguns dias depois de ver Alice. O mundo contado aqui é o mundo que torna Alice possível. Este enforma o mundo de Alice. A imigração como, ao mesmo tempo, um dos fenómenos mais naturais nos nossos tempos globais e um dos aspectos mais explorados por todo o sistema é o tema que nos conduz através da vida de vários imigrantes, dando-nos o retrato completo, o desmascarar de vaidades, sentimentos de progresso e futuros felizes. Claro que o filme não é constante. Tem planos artísticos lindos, de simplicidade na combinação de música, cenas de rotina, narração com voz “off” e momentos da vida real. Mas também tem planos demasiado aproximados, sem qualidade cinemática, úteis mas sem arte, ou cenas filmadas de forma quase amadora. Claro… Mas ganha um lugar especial pelo que mostra e pelos problemas que trata.

Está construído por quadros, episódios, descontinuidade de personagens, descontinuidade racial, descontinuidade linguística, descontinuidade de cor, descontinuidade de modo. Tal como as grandes cidades, hoje.

Este filme tem alguma arte, e Tréfaut sabe o que faz. Recomendo que se veja, com Alice ao lado, para questões cinemáticas mais elevadas.

A minha avaliação: 3/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve