(In)comunicação, “Babel”

“Babel” (2006)

Realizador: Alejandro González Iñarritu

Argumento: Guillermo Arriaga; Alejandro Iñarritu

Género: Drama/Thriller

Link IMDB

Aqui, uma vez mais, como no resto da triologia, a narrativa não linear é utilizada, pela sobreposição de histórias que se ligam em determinado(s) momento(s). Funciona como 4 pequenas estórias, que são editadas e vistas em excertos, com uma ordem específica. Cada estória é clara e fácil de seguir, se analisada sem a ligação às outras. A ordem dos excertos é sempre:

1- as crianças marroquinas

2 – a ama mexicana e as crianças americanas

3 – os americanos em Marrocos

4 – a história japonesa

Esta ordem repete-se constantemente mas a sucessão cronológica dentro de cada uma não está sincronizada com as outras. Assim, a estória 1 começa no final cronológico da estória 2, que se desenvolve em paralelo com a história 3. A estória 4 está mais liberta em termos de ligação cronológica, mas alguns elementos mostram que acontece aproximadamente em paralelo com as duas anteriores (2 e 3).

Toda a construção, que é extremamente inteligente, reflecte a extrema complexidade do mundo que pretende mostrar, transportando a ideia de uma nova ordem de valores que substitui a já existente, a ordem da humanidade que substitui a ordem primitiva da natureza (o acto de “contar uma estória” a ser substituído pela complexidade narrativa, o espontâneo vs cerebral). Por isso, o filme fala da ideia do indivíduo dominado pelo sistema complexo que, contudo, todos ajudamos a criar. E o título do filme justifica-se aqui: a metáfora bíblica da criação das línguas falava de castigo pela vaidade crescente. Aqui, mostra a inabilidade para comunicar como motivação para a violência e a luta entre pessoas.

Praticamente todos os acontecimentos (maus) que tomam lugar acontecem como consequência de falhas de comunicação. A inabilidade para passar ideias vai além da ignorância relativamente às línguas , causa o isolamento do indivíduo num contexto global. E o que Iñarritu faz é tratar o assunto cinematicamente. A rapariga japonesa é surda-muda (não por acaso) e isso permite nas suas cenas colocar a câmara dentro e fora do seu ponto de vista, como surda e muda, quer na ausência de comunicação/recepção ou no que não é comunicado. A cena da discoteca é absolutamente notável neste ponto. O trabalho da câmara é, já agora, completamente assinalável em cada cena relativa à rapariga japonesa. Quando ela espera pelo elevador, de costas para o polícia, e o espectador sabe mais que ela e recebe todo o quadro. Isto é verdadeiramente cinemático.

A minha avaliação: 4/5 experiência fascinante.

Este comentário no IMDB

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2 Responses to “(In)comunicação, “Babel””


  1. 1 T.J. Junho 24, 2008 às 2:40 pm

    as consequencias que uma acçao pode causar em lugares tao distantes do mundo. foi este o facto que mais me impressionou neste filme. sem duvida um filme inteligente que da que pensar.


  1. 1 [blog] 7olhares - Arquitectura.pt Trackback em Junho 10, 2007 às 5:22 pm

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve