Arquivo da categoria 'Uncategorized'

What goes around, comes around (2008)

“What goes around comes around” (2008 )

Esta não é uma entrada normal. Não estou a comentar um filme que tenha visto, estou a mostrar um filme que fiz, em parceria. No passado mês de Abril (dias 7-18), aconteceu na FAUP, Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto um workshop dedicado a explorar as relações entre cinema e arquitectura, fazê-lo num âmbito internacional, e experimentar praticamente explorar essa relação, ou seja, produzir filmes.

Das 3 experiências em que participei esta foi aquela cujo resultado final mais me agradou, e a única que acho que pode ter interesse mostrar aqui. Participaram na produção deste filme directamente 6 pessoas. Os créditos estão incluídos no filme, mas a pouca qualidade desta versão não permite ler. A minha participação passou pela cinematografia (trabalho de câmara, sobretudo) e a criação/execução da banda sonora. Procurarei actualizar este post com o resto dos créditos. Entretanto, caso alguém queira saber algo mais, agradeço que pergunte, por mail seria melhor.

What goes around, comes around:

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CinemArchitecture

1 ano

Há um ano atrás, dia 25 de Maio de 2007, publiquei o meu primeiro texto neste blogue, uma nota introdutória e de intenções. No dia seguinte publiquei o meu primeiro comentário a um filme. Não imaginei nessa altura que esta aventura trilíngue pudesse durar tanto tempo de acordo com as intenções delineadas originalmente por mim. Mas durou, já tive muitas alegrias, e bastante empenho nesta ideia.

Um ano depois, comentei 81 filmes no total, obtive uma quantidade razoável de respostas, perguntas, convites, simples notas a dar força para continuar, directamente no blogue mas sobretudo por mail. 81 filmes num ano significa aproximadamente 1,5 filmes por semana. Não imaginei poder ter esse ritmo, tendo em conta o carácter completamente amador de um blogue deste tipo. Espero poder continuar assim, e convido todos os que por aqui passam e que me leem a escrever-me com sugestões ou simples comentários sempre que assim o desejarem. É a maior alegria para mim poder ler as opiniões de pessoas que se interessam pelo que faço.

O WordPress registou estas estatísticas no último ano:

7Olhares: 13 537 visitas

7Ojos: 4 174 visitas

7Eyes: 2 711 visitas

Total: 20 422 visitas (visitas “on site”, excluindo “syndicated views”)

Fiquei satisfeito, nunca esperei vir a ter tantas visitas. Espero que continuem a acompanhar-me nesta ideia. Leiam-me, comentem-me e vejam filmes.

Rui Resende

ruiresende84@gmail.com

acerca de uma eleição

7Olhares em primeiro lugar na eleição do melhor blog português 2007 na categoria “entretenimento”

Foi repentino o que aconteceu nos últimos dias. Mas desde a nomeação do 7Olhares para melhor blog português na categoria entretenimento até ao primeiro lugar que o júri decidiu dar, pouco tempo tive de pensar em tudo. Desde que comecei esta ideia, no final de Maio passado, este é o momento de maior orgulho que tenho. Só pela nomeação já valia a pena tudo, ter o primeiro lugar numa lista de nomeados cheia de qualidade, é mais do que podia imaginar há meio ano atrás.

1º. 7 Olhares
2º. Cine-Asia
3º. Deuxieme

4º. Cineblog
5º. Cine7
6º. Hotvnews 2.0
7º. TVDependente
8º. LOST in Portugal
9º. Tvcinews
10. Séries & Filmes
11. Viciado em Cinema e TV (A Sequela)
12. Blog da Trilogia BTTF

Aos outros blogs listados os meus parabéns pela paixão e motivação com que mantêm os seus projectos (eu prefiro chamar-lhes ideias). A forma blog deve ser uma das maiores conquistas em muito tempo em termos de expressão individual e possibilidade de partilha, por isso deve ser estimulada com iniciativas destas.

Recordo o que escrevi no dia em que inaugurei este sítio:

“… Tenho a esperança, mais, tenho a ambição de ser lido e, talvez, ser comentado. É esse o meu convite.”

continua a ser esse o meu convite…

30 de Julho 2007

Bergman / Antonioni

Não sei porque tinham de morrer no mesmo dia, até já ouvi dizer que o Antonioni morreu de choque ao ouvir que o Bergman tinha morrido. Seja como for, são dois dos últimos… não sei últimos de quê, mas tive a sensação que eram dois dos últimos a ir.

No meu caso pessoal, como amante de cinema, liguei-me sempre mais à obra do Antonioni, sem questões pessoais são dois mestres-génios-pessoas que a partir de 30 de Julho de 2007 ganharam o direito a ser imortais.

Para mim não é este o momento dos discursos longos. É o momento de quem tiver acesso agora mesmo, pegar no primeiro filme que estiver na superfície da memória de cada um e rever, 1 minuto, 2 minutos, dois planos ou o filme todo, ou todos os filmes. É provavelmente o que vou fazer.

Ingmar Bergman (1918-2007)

Michelangelo Antonioni (1912-2007)

O cinema de Iñarritu, introdução a Babel

Princípio cinemáticos

O cinema, como toda a arte, é comunicação. Tudo o que passa por imagem em movimento ou não, com ou sem som, é pura comunicação. Queira-se ou não, negue-se (enquanto artista) ou não esse facto, tudo que aparece comunica algo. Em controlar o que se comunica está a arte. Assim, “Babel” escolhe porventura o tema mais difícil de explorar por qualquer médio artístico: o da não comunicação. Tudo o que Iñarritu pretende é mostrar a ausência da comunicação, e os efeitos dela, colocar-nos no buraco escuro onde as suas personagens estão e onde, no fundo, todos nós nos inserimos.

Creio estar aqui o que de mais contemporâneo o cinema pode produzir. E explico: o cineasta português João Botelho uma vez afirmou que a tentação de contar uma história é o pecado original do cinema, a ideia de sucessão de factos, narrativa e climax e conclusão. O cinema contemporâneo, na sua ânsia de evoluir, encontra-se, no entanto, em algum ponto de crise em que se procura redefinir e evoluir. Um pouco como o mundo de Babel. Complexo, fascinante, mas de algum modo desgovernado. Iñarritu rejeita a história pela história, a narrativa linear que dá o pretexto para “pendurar” algumas imagens. Afasta-se dos factos, concentra-se no trabalho da imagem (e que imagem, a fotografia é fantástica) e do contexto. Por certo não é o primeiro a tentá-lo, mas é dos que melhor o faz num contexto de massas e com consistência. Da mesma forma é contemporâneo na forma autoreferencial como aborda a própria arte da realização cinematográfica. Este filme, como “Amores Perros” e “21 grams” é também uma pesquisa sobre a construção de narrativa e sobre cinema. É também um filme sobre outros filmes e, por isso, sobre cinema.

7 olhares, uma ideia

no quadro 11 de Vivre sa Vie, Anna Karina mantém uma conversa de vários minutos com o homem a quem, como prostituta, se insinuou. no decurso dessa conversa, ele relembra Platão quando refere, há 2500 anos, que pensamento e palavras são um só, e que as palavras existem para fixar as ideias. Quando me decido começar um blogue escrevendo (penso eu) sobre cinema, procuro precisamente, fixar ideias que me passaram pela cabeça quando via um filme e que, sem as palavras, acabarão por se perder. Os meus comentários não são, por isso, descrições completamente abrangentes de cada filme de que falo, são os aspectos que achei importantes naquele momento e que, na minha cabeça, fazem aquele filme. Tenho a esperança, mais, tenho a ambição de ser lido e, talvez, ser comentado. É esse o meu convite.