Arquivo da categoria 'Cinanima 2007'

Jeu (2006)

“Jeu” (2006)

Cinanima 2007

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vídeo clip musical

Esta curta trata basicamente de transformar música (aqui um concerto de Prokofiev) numa banda sonora. E o caminho escolhido é fazê-lo de uma forma abstracta, livre de uma linha narrativa, jogando livremente com formas que sempre mudam e se adaptam, cores (vermelho, amarelo, azul ciano) colocadas com diferentes posições e efeitos e movimento. Assim, a experimentação é o conceito chave, e há alguns aspectos que interessantes que resultam pontualmente.

Apreciei especialmente uma alusão ao pontilhismo de Seurat e Pissarro. Foi muito interessante a forma como os pontos (vermelhos e amarelos) movendo-se freneticamente sobre um fundo de tom ciano criou uma grande sensação de queda de água, ou água em movimento. Os impressionistas poderiam de facto ter adorado isto.

A ideia de movimento circular em termos de composição narrativa (e muitos elementos individuais dentro dessa composição, como os números iniciais que se transformam noutros números por movimento circular) também é interessante.

Mas tudo pecou por falta de unidade e, apesar dos seus menos de 4 minutos de duracção, tem (demasiadas) partições e porções desconectadas. Essa é a sua falha.

A minha opinião: 3/5 interessante como experiência.

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Lapsus (2007)

“Lapsus” (2007)

Cinanima 2007

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Animação geométrica (geometria animada?)

É fantástico como as ideias simples têm uma capacidade maior de captar as audiências. Isto é se elas realmente forem simples com, ao mesmo tempo, ideias interessantes (e muitas vezes complexas) por trás. Quando escrevo isto, nãoconheço ainda os prémios do Cinanima 2007 (este comentário foi escrito em Novembro) mas não me surpreenderia se esta pequena peça ganhasse o prémio do público. É basicamente uma exploração das possibilidades de criação de diferentes imagens a partir de formas comuns e semelhantes entre si. A história desenvolve-se pela interacção entre essas imagens, baseadas nas mesmas formas puras que recebem significados antagónicos, ao passar da parte esquerda da tela (branca) para a parte direita (preta). O humor nasce quando o realizador joga com religião num forma descomprometida e inofensiva.

Verifiquem este, é realmente uma boa experiência.

A minha opinião: 4/5

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In Memoriam (2006)

“In Memoriam” (2006)

Cinanima 2007

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Que boa experiência. Este filme tem várias qualidades, algumas relacionadas com o seu aspecto visual/edição/som e outras relacionadas com a forma como o drama/história é construída. Estes dois aspectos sozinhos podem fazer um filme valer a pena para mim (na verdade em certos casos apenas um desses aspectos pode fazer a experiência valer, se for bem explorado).

Apreciei muito a face deste Pierrot, é carinhosa só por olharmos para ela, tem uma carga de sofrimento e nostalgia sobre coisas que não se passaram. A forma como a música está encaixada é soberba. Sei que é um cliché usar caixas de música ou material parecido para provocar momentos de ternura em animação, mas normalmente desprezo o facto de estar a ver um clichá se ele estiver bem resolvido. Este é o caso. A oficiona também é muito interessante, a iluminação é adequada.

Depois temos o aspecto que mais me interessou aqui e que tem que ver com a construção narrativa, e os motivadores da história. Assim, temos a nossa marioneta que se apaixona pela criação do seu criador. Ele planeia ser correspondido por esta dançarina marioneta. Parte-se-lhe o coração quando descobre que o seu velho criador está agora a produzir um amante para a sua dançarina feminina. Neste ponto sabemos que controla, o velho humano que foi responsável pela criação de todo o cenário e personagens e história que vemos até agora, escreve a narrativa. De repente ele morre. Ao morrer, deixa o nosso Pierrot com duas hipóteses. Uma, cumprir as suas intenções e voltar a juntar os dois amantes criados; outra, servir as suas próprias intenções e ficar com a rapariga. O aspecto interessante é que, a partir daqui, o escritor muda, e as decisões são feitas pela marioneta, o Pierrot. E quando ele finalmente decidr fazer o que o seu criador teria feito, tudo termina connosco observando o palhaço triste a manusear a cena final (que foi “escrita” por ele). Assim, o tema é a decisão sobre quem decide a história, isto é material interessante, e algo que o cinema explora bastante. Aqui está especialmente bem feito, de forma clara. Vejam.

A minha opinião: 4/5

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The Pearce Sisters (2007)

“The Pearce Sisters” (2007)

Cinanima 2007

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Não sei se seria capaz de “alimentar” a minha imaginação visual todo o tempo, cada dia, com animações como esta. O que quero dizer é, sempre que vemos um filme, qualquer filme, animado ou não, entramos dentro do mundo do seu autor (pelo menos quando o filme tem um mínimo de interesse). Mas nos filmes com imagens “reais”, esse mundo é construído a partir de um número de elementos que o autor escolhe de vários sítios da “realidade” e esses elementos são submetidos à visão e imaginação específicos do autor. Dois diferentes realizadores, dados os mesmo elementos, irão necessariamente produzir dois trabalhos diferentes (da mesma forma que dois arquitectos dados os mesmos elementos construtivos, programa e lugar irão produzir dois edifícios distintos). Isto também se aplica à animação, quando feita com princípios de produção em “série” ou quando a sua concepção visual inclui muitas mentes criativas.

Mas quando temos animação “de autor”, como neste caso, toda esta questão de “entrar num mundo” ganha todo um novo sentido, e visitamos toda uma nova dimensão. Isto acontece porque tudo é completamente gerado pela imaginação de alguém que é, claro, baseada em aspectos e elemetos de realidade, mas cada elemento surge distorcido e submetido a uma interpretação específica (estilo?), e isso submete todos esses elementos a novas regras, novas leis. Isso é ao mesmo tempo o aspecto mais fascinante e perturbador de uma animação e aquele que me pode manter mais distante dela. Isso passa-se porque ou entramos realmente nesse mundo, e gostamos de estar aí (mesmo que ele possa dar-nos sensação de felicidade, aborrecimento, reflexão ou pura raiva, mas tem de ser um mundo fascinante e sedutor) ou então será um mau bocado para nós, dentro do âmago de um autor. Neste caso, estes personagens mórbidos que observam o mar foram um mundo interessante para verificar, mas dá-me um cansaço mental maior ver 9 minutos assim do que toda uma longa metragem feita com personagens de carne e osso. Interessa-me perceber com mais exactidão porque é que isso acontece. Este filme fez-me rever a minha relação pessoal com a animação, pelo menos no nível em que referi.

A minha opinião: 3/5 pode não causar a quem veja o que causou a mim, de qualquer maneira há aqui elementos interessantes.

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Madame Tutli-Putli (2007)

“Madame Tutli-Putli” (2007)

Cinanima 2007

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Não posso dizer que este filme não foi um desafio visual para mim, porque foi. Isto é o trabalho de pessoas muito competentes, em todos os aspectos técnicos. Gostei especialmente da colocação de olhos reais sobre os personagens construídos. Acrescentou bastante a todo o ambiente. Os cenários são fantásticos, verifiquem todas as diferentes bagagens, roupas, acessórios, e todas as coisas enfiadas no comboio. Verifiquem como os personagens foram desenvolvidos, como as suas expressões são realmente intencionais. Depois verifiquem a edição, com nota especial para a forma como os efeitos sonores (e a música) estão misturados com a composição visual. Realmente bom trabalho. Mas não ficou comigo, porque falhou em desafiar a minha imaginação da mesma forma que desafiou o meu entendimento visual das cenas, cenários, personagens e ritmo. No final, fiquei sem nada dentro, não me deu muito para sonhar ou mesmo pensar, apesar de claramente estar direccionado a provocar essas sensações. Permiti-me mesmo rever mentalmente e reapreciar outros filmes que tinha acabado de ver, e quando isso me acontece, normalmente acontece porque as imagens que passam em frente a mim falham em capturar a minha atenção. Claro que isto pode ser um aspecto de escolhas pessoais, ou encontrar nas imagens mostradas elementos com os quais nos possamos relacionar. Eu não me relacionei com o que vi.

A minha opinião: 2/5 pode funcionar para quem vir, comigo não resultou.

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Le Manteau (2007)

“Le Manteau” (2007)

Cinanima 2007

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Havia aqui um bom elemento para explorar, mas o filme falha basicamente porque ignora esse elemento. Estou a falar do elemento do título, o “casaco” que poderia ter sido o motor para algo ao mesmo tempo puramente cinemático e específico do mundo da animação. Digo isto porque, para mim, muitas animações falham quando tentam demasiado parecer cinema “normal”, e os processos de animação são usados para imitar o que poderia ser feito captando imagens da realidade. Normalmente não aprecio esse tipo de filmes. Aqui tínhamos o elemento que mencionei: um casaco onde uma das personagens “vê” um velho parente falecido em “movimento”. Assim, a “animação” é gerada pelo olho deste personagem feminino. Assim temos uma animação (o casaco dançante) que acontece dentro de outra animação (o filme ao qual assistimos). O problema é que, apesar desta primeira e promissora cena onde compreendemos a diferença entre o personagem feminino e o resto do ambiente, esta ideia simplesmente pára de ser explorada, e não temos mais o casaco animado, ou qualquer outro tipo de jogo visual com esse elemento na relação com a forma como a mulher e os outros personagens o vêm. Pena, poderia ter acontecido algo interessante aqui, mas não da forma como foi feito.

A minha opinião: 1/5 boa ideia na raiz, mas não foi bem explorada.

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Ein Sonniger Tag (2007)

“Ein Sonniger Tag” (2007)

Cinanima 2007

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Quando vejo animações, gosto de ver coisas assim. Temos uma história simples. Nem podemos talvez falar de história. Trata-se apenas de “animar” objectos ou entidades comuns que na verdade correspondem a fenómenos naturais e justificar as mecânicas do mundo físico real baseando-nos na pura imaginação. Na mesma sessão em que vi este, vi antes um terrível “Toot & Puddle, i’ll be home for Christmas”. Em comum com este, há o alvo etário (crianças?). E fiquei tão chateado com este como apreciei o que agora comento. “um dia de sol” tem simplicidade na expressão gráfica, nas explicações imaginadas para o “comportamento” do sol e no tempo: 6 minutos. É baseado em desenhos à mão, com um uso constante de um amarelo areia e sobreposto a esse, tons aguarela subtis. Isto resulta num desafio visual, que compreende a forma como as mentes imaginativas funcionam (as mentes das crianças) e é por isso que é engraçado, exactamente o oposto de “toot…” que trata as crianças como seres completamente atrasados.

Vejam este

A minha opinião: 3/5

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Prílepek (2006)

“Prílepek” (2006)

Cinanima 2007

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Pernas

Isto é trabalho muito interessante. Não é realmente animação (já que todas as imagens são gravadas e não “criadas”) mas assisti a ele num festival de animação. Apesar de tudo, é guiado pelo mesmo tipo de liberdade de pensamento em relação às regras físicas e realidades/mundos criados que tem as boas animações. Por isso justifica-se a sua inclusão num festival de animação. Realmente há vários elementos aqui que retiveram a minha atenção:

. o entendimento do cinema como uma sucessão de imagens. Há, na minha opinião, duas linhas possíveis de pensamento quando queremos levar definições ao limite: uma é considerar o cinema como “imagens em movimento”, a outra é considerá-lo como “sucessão de imagens”. Os filmes mudos eram, sobretudo pelas suas limitações técnicas, compreendidos pelo espectador como uma sucessão de imagens, e o cinema nasceu sobre esta base (na verdade, toda a câmara é na verdade um criador de fotografias em série). Depois temos esse filme importante e genial que é La Jetée, onde Marker deliberadamente elimina o movimento “dentro” da imagem (excepto por um subtil plano de um olho) e faz um filme a partir de imagens que se sucedem (e sim, é cinema no meu dicionário). Aqui temos um compromisso entre ambas as formas: imagem que se transmuta, e sucessão de imagens. Na prática, isto aparece neste filme na forma como a edição está (muito bem) feita, com uso constante de várias imagens separadas que vão mudando rapidamente e contando a “acção” ou os comuns 24fps que dizem ao nosso cérebro que estamos a ver na verdade uma imagem que muda a cada momento (realidade?). Isto é um aspecto realmente interessante neste filme.

. o ponto de vista. Temos um protagonista que passa todo o tempo deitado no chão olhando, tocando, sentindo. A colocação da câmara (e a troca constante de posições, edição uma vez mais) é muito inteligente na forma como nos dá grande consciência do chão e das sensações do protagonista. Temos uma grande sensualidade no toque das pernas, pequenos planos dentro das saias, roupa interior, o olhar de baixo para cima para as pernas. Isto é um trabalho de sensibilidade, e uma forma refrescante de mostrar um velho (o mais velho?) tema.

Vejam este.

A minha opinião: 4/5

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Over the hill (2007)

“Over the hill” (2007)

Cinanima 2007

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Gosto muito do ambiente deste e das escolhas gráficas que suportam esse ambiente.

O filme aparece como uma memória de velhos cartoons americanos, da Warner Brothers e não só. As letras dos créditos, as cores planas e aguareladas, os desenhos simplificados, muito expressiovos e não muito complexos (menos é, neste caso, mais).

Mas, se a expressão disto tudo leva-nos para velhas formas americanas de produzir animação, o tema (e o modo) leva-nos para a Inglaterra “tea pot”, ajudado pelo uso constante de vários padrões de papel de parede que cobrem toda a tela. Assim, temos uma história divertida que subverte alguns dos (muitos) clichés ingleses, relacionados com chá, tricot e velhas senhoras de alta sociedade. Temos uma “aventura” (un conjunto de acontecimentos irreais num cenário e situação irreais) que terminam com um climax de final feliz, como os velhos cartoons tinham.

Assim, não temos génio aqui, mas é trabalho interessante sobretudo do ponto de vista das referências que escolhe e da forma como reflecte essas referências.

A minha opinião: 2/5

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Le programme du jour (2007)

“Le programme du jour” (2007)

Cinanima 2007

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Isto é tão frio cinematograficamente como o tema que trata. Normalmente isso poderia ser uma coisa boa, e uma declaração de coerência e equilíbrio entre o tema e o meio que o trata. Mas aqui coloco esta observação como uma falha que me impediu de apreciar este. Temos animação digital, mas é bastante ineficiente, apesar da sua competência técnica.

Eu realmente apreciei o plano inicial, inspirado (pelo menos assim pareceu) por aquelas estruturas cúbicas que Escher costumava gravar quando sugeria o espaço infinito. A forma como a câmara virtual é usada realmente explora as possibilidades que a animação traz à exploração espacial, com as suas vantagens em relação aos planos “físicos”. Isto foi bem feito, e bem concluído, com o bom pormenor do cubo cadáver a cobrir o único ponto de luz.

Mas depois o que se passa dentro do cubo, entre estes dois planos, é insignificante e vazio. Não me interessou muito esta versão do mundo contemporâneo vazio e frio, porque tudo foi tão cliché aqui, cada elemento é usado vezes sem conta sempre que uma ideia vazia é forçada a parecer profunda.

Por isso, a não ser pela forma como começa e termina, este não foi uma muito boa experiência.

A minha opinião: 2/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve


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