Arquivo da categoria 'Cinema e espaço/arquitectura'

Red-end and the Seemingly Symbiotic Society (2009)

“Red-end and the Seemingly Symbiotic Society” (2009)

O filme no FestivalFocus
O filme no sítio da produtora

Cinanima2009

construtores de espaço

Que filme interessante, no momento certo. Depois de um festival rico, interessante, com o qual ainda estou a lidar neste momento, tenho a recordar vários momentos altos. Este filme é, de todas as experiências que tive aqui, uma das mais fortes, mais fascinantes e que mais me interessa., pelos meus interesses pessoais no estudo das relações entre espaço e a exploração desse espaço por meios visuais. Este filme é uma das melhores experiências recentes que eu tenha visto em filme que abordem tão explicitamente o tema. Apenas por isso, já merece entrar numa lista especial, que vou fazendo, de filmes que importam para a minha construção mental do tema de espaço e cinema.

Mas para além disso, este filme é realmente interessante. Vamos ver do que trata. Há uma história. Essa história tem a ver com a vantagem da diferença, um mundo onde todos são negros, a diferença que pode fazer alguém vermelho. Banal, até aqui. Para além disso, há a ideia de ciclo que perpassa toda a narrativa. A ideia lavoisiana de que tudo se vai transformando, e tudo vai irremediavelmente desaparecendo. Melhor aqui, porque o filme apoia visualmente o texto que procura sustentar. Tudo isto é razoavelmente interessante, mas nada que me faça perder o sono, ou sonhar especialmente alto.

Mas depois, há algo mais que sim fascina, e sim está feito de forma exemplar, quase perfeita. Está incorporado na história, e é totalmente apoiado e compensado por aquilo que vemos. A história é sobre seres que constroem os espaços que habitam, que usam, que desenvolvem. Nós vemos a construção. o filme começa dentro de espaços supostamente naturais, mas já por si interessantes, onde os insectos recolhem os cubos que serão as peças que construirão os espaços mais tarde usados para experiências. Nós vemos a recolha das peças, nós vemos o transporte, e sobretudo, nós vemos a construção de cada espaço, até à última peça. Por fim, após isto, nós vemos esses espaços, que não existem apenas no campo abstracto da história, estão realmente construídos, para a câmara os possa fotografar. Agora reparem nisto: embora haja apoio digital na pós-produção deste filme, ele é no essencial um stop motion. Quer isto dizer que não só os insectos são objectos reais que foram fotografados, todos os espaços que vemos são maquetes concebidas para serem fotografadas. Ou seja, quando vemos os insectos a construírem o espaço, é como uma vincagem das características constructivas dos cenários, é como se estivessemos a acompanhar o processo de trabalho. A história do filme é a história no filme. Subtil, bem feito, e arquitectónico!

Alguns dos espaços são bem concebidos, para o efeito que se pretende. As grutas iniciais, a cúpula construída com cubos (de açúcar?) e um espaço construído com placas perfuradas. Deste último espaço, que até me pareceu o mais interessante e complexo, e mais adequado para ser explorado pela câmara, penso que faltou um investimento na iluminação mais cuidada dos planos aí construídos. A vantagem (para mim) das placas perfuradas é a possibilidade de criar ambientes através da difusão da luz. Mas isso iria contra a imagem geral do filme. A câmara aposta sobretudo nos travelings laterais para dar coesão a todos os planos do filme, e a exploração do espaço tem sobretudo a ver com os ângulos e pontos de vista escolhidos. Não há nada inventado aí, até porque é difícil expandir mais o glossário de possibilidades que Welles ou Tarkovsky inventaram. Mas é um trabalho consistente. A minha maior queixa é o facto de a fase final do filme abdicar totalmente desta exploração espacial para dar um seguimento às partes (quanto mim) menos interessantes da história.

A minha opinião: 5/5 é uma experiência, vou descobrir como ela se acomoda na minha cabeça… e isso dirá como evolui esta classificação.

Death and the Maiden (1994)

“Death and the Maiden” (1994)

deathmaiden

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rodear uma ideia

Esta é uma das casas cinematográficas deste realizador. Ele nada confortavelmente nestas águas. Polanski necessita de muito poucos elementos para introduzir uma grande tensão em qualquer filme. Por isso é que ele procurou várias vezes na carreira guiões como este.

Isso é uma grande qualidade, a capacidade de pegar em muito poucos elementos do cenário, neste caso uma casa pequena e a paisagem que a rodeia, e construir uma narrativa sobre isso. É isso que temos. A história é suficientemente simples para não produzir distracções, e a paisagem é vasta e suficientemente deserta para fazer o mesmo. O que temos é todo um contexto que rodeia uma certa ideia de verdade incerta, realidade provisória (para os nossos olhos). Por isso é que nunca paramos de nos questionar se Weaver está certa ou errada, se Kingsley é um violador ou uma vítima. Também Stuart se questiona, que tem de ultrapassar as mesmas dúvidas que nós, espectadores, e isso fá-lo o nosso representante no filme. Nós somos juízes das nossas sentenças. Toda a crueldade de um regime inventado de um suposto país sul americano existe apenas para credibilizar o mundo do filme. Isto não tem a ver com a denúncia de crimes, nem com uma discussão política, como tem sido dito. Também muito tem sido discutido acerca da verdade que o diálogo final revela, ou não; para mim ele deixa as possibilidades abertas, embora sugira sinceridade.

Como ideia, esta é tão simples como parece, e como todas as ideias simples, é difícil de formalizar, mantendo a simplicidade. É aí que as coisas se tornam interessantes, quando vemos os dispositivos cinematográficos que rodeiam e colaboram com a simplicidade da dúvida pura que este enredo teatral sugere.

Primeiro, temos o núcleo da história enquadrado, no início e no fim, pela música nuclear, um quarteto que dá nome ao filme, e que dá consistência ao drama do personagem de Sigourney.

Temos a manipulação da paisagem, com o seu farol. O sentido de isolamento verde, a poética do local, que vai crescendo em nós, já que nos é dada em pequenos pedaços, até se tornar o palco final do drama real.

A casa. Esta parte interessa, já que este é um filme de um realizador que realmente sabe manipular o espaço e inclui-lo no drama. Isto vale para um quarto de hotel, um barco, ou uma pequena casa. É isto que ele tem feito ao longo da sua vida, em “a faca na água”, a triologia dos apartamentos, bitter moon e este. É algo que admiro imenso, a capacidade para incluir o espaço que rodeia os personagens nos seus dramas e discussões. Essa é uma das formas mais profundas de incluir o espaço (arquitectónico) em cinema. Orson Welles, Hitchcock (às vezes), Polanski… todos eles confiam na sua câmara para isso.

Temos as actuações no centro do sucesso deste filme. Cada um dos 3 actores envolvidos estão no seu melhor aqui, cada sabe exactamente como se deve colocar, e interpreta perfeitamente o que lhe é pedido para fazer as coisas funcionar. Ambiguidade, para Ben Kingsley, cabeça perturbada para Sigourney Weaver, inacção e indecisão para Stuart Wilson.

Este filme é menos conseguido do que outros, mas Roman nunca deixa de nos dar o seu olhar especial, e isso vale sempre a pena ver.

A minha opinião: 4/5

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Letyat zhuravli (1957)

“Letyat zhuravli” (1957)
(O voo das cegonhas)

cegonhas

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as ansiedades do mundo, e os espaços que as rodeiam

Quando levamos a sério a nossa vida como cinéfilos, começamos a escolher as coisas especiais que gostamos de ver nos filmes. Essas coisas podem ser tão simples como querer ver filmes que tenham a ver com certos temas (parece-me superficial), ou observar como determinados aspectos são utilizados. No meu caso, e porque sou antes de mais um arquitecto, interessa-me como esse tema é utilizado nos filmes. Não tem tanto a ver com a forma como o mundo construído (arquitectura) aparece, como eu inicialmente pensava, mas com a forma como o espaço é realçado. Não me interessa o cinema ilustrativo, aquelas imagens que vemos nos documentários banais de arquitectura. O que procuro é a interpretação do espaço, formas de nos colocar nesses espaços, segundo as intenções de quem os filma. Dentro desse canto específico das possibilidades que o cinema oferece, Kalatozov é um dos melhores realizadores de sempre. Ele domina o espaço. Ao fazê-lo ele trabalha simultaneamente com enquadramento, edição e, especialmente, movimento de câmara. Creio que nestas experiências temos de dar crédito tanto a ele como a Urusevsky, duas visões complementares e loucas. O seu melhor trabalho é sem dúvida Soy Cuba, que é com certeza uma das visões mais perfeitas do trabalho de uma vida. Esse é um filme perfeito em praticamente tudo o que “vemos”. Este, para mim, prepara o caminho do outro, mas ainda assim é uma experiência poderosa por si mesmo.

Vejam isto: -logo no início temos a geometria de uma composição que inclui uma guarda de escada em pedra, a sombra dessas pedras, e o movimento dos personagens dentro desse enquadramento; -ainda no início, a cena das escadas. Todos os jogos que incluem a edição, e aqueles movimentos de câmara lindos, em espiral, em que subimos as escadas, assim como enquadramentos perfeitos do poço da escada. Estas escadas são uma metáfora fundamental para a história, e voltamos a vê-las, meio destruídas, mais tarde. Do ponto de vista da junção de espaço/arquitectura/câmara, este é o momento mais poderoso do filme, que ficará comigo muito para lá de ver o filme; -todas as sequências em multidões. Estas têm um pretexto, sempre o mesmo, Veronika a procurar Boris, no início para se despedir e mesmo no final esperando ainda o encontrar. Estes pedaços são poderosos, porque sufocam-nos, fazem de nós um entre muitos. São cenas altamente espaciais que no entanto apresentam muito poucos elementos construídos do mundo físico. Tem a ver com pessoas e como nós/câmara e Veronika caminhamos no meio delas. É esta a verdadeira natureza do olho de Kalatozov. Poderoso.

Para lá destas cenas, que me interessam especialmente, temos dois pedaços de edição brilhantes, que provavelmente merecem mais ser creditadas a Urusevsky: – a violação implícita, em que a luz/sombra, ruídos de bombas, e uma banda sonora em piano são a própria definição do drama que vemos Veronika atravessar. Edição perfeita, câmara subtil, primeiros planos de enquadramento perfeito (a cara de Samoilova era incrível); -a morte de Boris. Para mim este pedaço é menos poderoso que o outro, mas ainda assim funciona para lá da mera superficialidade.

Assim, voltando ao que interessa: temos enquadramento geométrico; temos movimento de câmara e edição agarrados ao espaço arquitectónico; e temos uma câmara espacial descorporizada que se move sem referências construídas. Que glossário visual! Que podemos pedir mais? Isto seria já suficiente, mas Kalatozov/Urusevsky expandiram ainda mais as nossas mentes, quando nos deram Soy Cuba. Que vidas incríveis, as deles.

A minha opinião: 4/5

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Harry Potter and the Half-Blood Prince (2009)

“Harry Potter and the Half-Blood Prince” (2009)

potter

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sobre narrativa espacial

Quem viu e continua a ver os filmes Harry Potter e pensa um pouco sobre eles sabe o rumo que eles estão a tomar (ou que é suposto tomarem). O franchising é invulgarmente longo, para filmes que trabalham uma única linha narrativa, ainda mais quando a evolução da idade dos personagens interessa. Começou há 8 anos e vai terminar (supomos) daqui a 2. Por isso temos uma década com os mesmos personagens. Mais do que isso, uma década com os mesmos espectadores. É esse o truque, cada filme não tenta conquistar novas audiências, ao invés tenta chegar às mesmas que viram os filmes anteriores. Claro que novos públicos são bem-vindos, mas reconquistar os regulares (que já começaram com os livros) parece ser o objectivo principal. Por isso é que cada novo filme é mais “negro” que o anterior, porque o primeiro deveria ser apelativo para alguém com, digamos, 10 anos, e o último deverá ser consumível por alguém com 20. É uma ideia interessante, e que aparentemente permitiu a cada novo filme ser rentável apesar da longa duração dos personagens. Também, suponho, é por isso que Chris Columbus saíu do barco depois do terceiro, ele tem uma imaginação calibrada para chegar às crianças, e “famílias”, no processo. Quando Columbus saíu, eles tiveram problemas em substitui-lo, e creio que os 2 filmes antes deste são desastres totais. O último, especificamente, é uma confusão total em todos os temas. Bem, Yates deve tê-lo visto muitas vezes e compensou em parte as coisas aqui.

O que temos aqui melhor do que tínhamos nos outros 2 é uma certa construção da tensão de cena para cena. Eles compreenderam que não têm bom drama entre mãos, os livros são demonstrações curiosas de pedaços apelativos de mitologia, mas que está enraizada em aventura e fantasia adolescentes, e isso não pode ser mudado. Por isso eles escreveram o filme de acordo com as possibilidades que tinham. Isso torna-o tolerável nesse aspecto. Bem, a grande forma é absolutamente inexistente. O filme é uma colecção de capítulos soltos, as ligações débeis que o livro (suponho) dá estão ausentes e por isso o filme funciona como pura ilustração de certos momentos da história. Mas em geral, cada episódio é minimamente competente.

Mas há algo realmente bom aqui. É a exibição do espaço através da escolha do enquadramento. O que quero dizer é que o espaço está presente, é usado como um importante (o mais importante?) manipulador da dinâmica dramática, significando isto que cada cena tem uma vida pela forma como está enquadrada, No espaço. Colecciono exemplos de como o espaço é usado em cinema e este é um bom exemplar, que usa o espaço de uma forma rara, através do enquadramento. A magia acontece pela colocação exacta de elementos no primeiro e último planos (objectos, elementos da arquitectura como portas ou paredes) assim como na forma como os personagens surgem no espaço (e onde). Este filme fá-lo bem. A verdadeira tensão nas cenas está na forma como são construídas espacialmente. Como espectadores, somos levados a crer que é a história, o diálogo dos personagens que nos faz sentir desconfortáveis, ou arrebatados, mas é o espaço, neste caso manipulado pelo enquadramento.

Até agora, nos 6 filmes que temos, há 2 que interessam pelo que fazem com o espaço: o Azkaban de Cuarón e este. Cuarón é um tipo que se move no espaço e através do espaço, seja pendurado em personagens, seja livremente, pelo espaço em si. Esta versão depende da encenação do espaço e de encontrar o enquadramento adequado e significativo (neste caso num espaço que podia e foi manipulado previamente). Pessoalmente, prefiro o que faz Cuarón, mas realmente adorei esta versão, que me surpreendeu positivamente. (Orson Welles dominou os dois tipos de exploração, e podia usar ambos no mesmo filme, mudando o modo! isso é único).

A minha opinião: 4/5

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Sleuth (2007)

“Sleuth” (2007)

sleuth

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reviravoltas

É redutor encarar este filme como um remake do original. Na verdade é muito mais rico considerá-lo como um filme que se adiciona ao original. Realmente deveriam ver o antigo em primeiro lugar, para enriquecer a experiência deste. Pensem no original, e depois considerem-no como um ponto de partida. Abram a vossa mente para receber este. Façam isso, e terão uma das melhores experiências em filmes que lidam com a criação de histórias. Eu tive.

A versão de Schaffer/Mankiewicz tinha que ver com dois personagens que lutavam pelo controlo da história. O seu jogo pessoal de humilhação e vingança baseava-se em cada um deles criar uma história e representá-la de forma tão convincente que levavam o outro a acreditar nela. Nessa versão tínhamos brinquedos e bonecos animados por todo o cenário para realçar isso. É uma obra prima de escrita para filmes que funcionava porque as actuações a suportavam. Laurence Olivier esteve muito bem aí porque constantemente nos explicava a criação da história, à medida que ela avançava. O filme é um de machos puros, lutas de galos. A mulher por quem eles lutam, estava num quadro.

Aqui começamos nas pegadas desse filme. Dois terços do que temos deixa pouco espaço para reflectirmos sobre motivações. Se conhecem o original sabem o que esperar. O filme está incrivelmente encenado. A mulher que provoca o jogo É a casa, que ela decorou. Por isso, têmo-la a jogar o jogo, muito mais do que tínhamos no original. Branagh deve ser reconhecido pela maestria disto. A forma como ele lida com as câmaras de vigilância inventa um terceiro personagem que está em todo o lado, mas que nunca vemos. Por outro lado, a casa é ostensivamente um cenário, concebido não para que alguém ali viva, mas para ser explorada pelos nossos personagens. Mas também É uma casa! Vou marcar este filme como um caso interessante de relação entre cinema e arquitectura, pela forma como a casa/cenário é usada.

**spoilers a partir de aqui**

O toque de mestre na narrativa acontece nos últimos 20 minutos. É uma coisa especial, que ganha mais força ainda porque já conhecemos o original. É uma espécie de reviravolta sobre o que esperávamos porque vimos o outro filme. Aqui sentimos a mão de Harold Pinter. Num certo momento, quando os nossos personagens começam o último “set” do seu jogo, ficamos na indecisão, oscilando entre acreditar na sinceridade deles ou tentar perceber quem está a fazer a jogada. O tema gay é introduzido, e a peça entra num campo de enorme ambiguidade, apenas desvelada nos últimos minutos. Uma vez mais, a casa (o elevador) dão-nos um último plano fortíssimo, que termina o filme de forma muito mais conclusiva e eficiente que o original. O personagem de Caine é muito mais ambíguo, e ele deve receber crédito pelos seus longos momentos de puro silêncio, no quarto de hóspedes, quando ele decide se deve ou não ceder às exigências de Law. Esses momentos são fantásticos.

Jude Law é um actor muito interessante. Para lá das suas qualidades óbvias, parece-me que ele é especialmente inteligente (ou bem orientado) na forma como escolhe os filmes onde entra. Os seus remakes de papéis antigos de Caine são bons exemplos disso.

A minha opinião: 4/5 este filme são várias peças dentro de uma peça, que se torna o filme, enquadrado por outro filme. Vocês vão querer vê-lo.

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Great Expectations (1998)

“Great Expectations” (1998)

expectations

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narrativa espacial

Este filme foi realizado por uma das mentes visuais mais interessantes a trabalhar hoje. Cuarón sabe como trabalhar o espaço, sabe movimentar-se nele, sabe como encontrar e/ou criar espaços que ele pode explorar, encontrar os melhores pontos de vista. Neste tema, ele provavelmente herda as investigações de Orson Welles nos dias em que ele dominou a exploração espacial e o enquadramento da arquitectura. É aí que a mente de Cuarón se centra, creio. Enquanto Wenders explora imagens bidimensionais numa forma pura, enquanto Kubrick molda os seus filmes ao redor da narrativa, Cuarón fá-lo com espaço.

Tendo dito isto, este filme específico não é aquele em que ele o faz de forma mais intensa. Não vi este filme quando ele saíu, e neste momento já vi Children of Men e o terceiro Harry Potter. Aqui ele estava provavelmente mais limitador e tinha menos margem de manobra para trabalhar as suas capacidades. No entanto há momentos, agarrados a espaços, que são puras pérolas visuais. Assim, pensem nas cenas da casa do Paraíso Perdido. Vejam como esse espaço está construído para ser explorado, como as salas grandes existe para merecer a pena a câmara dançar com os personagens. Vejam como a escadaria que desce até à fonte do primeiro beijo está ali para permitir à câmara seguir os personagens e explorar o espaço. Estes momentos na escadaria são especialmente wellesianos. O outro espaço explorado é o estúdio de Hawke em Nova Iorque. O espaço é claro e denunciado na forma como o lemos. Por outras palavras, compreendemo-lo com uma única imagem, é aberto, e a sua composição perfeitamente legível. Mas é interessante, pela iluminação e pela escala, e Cuarón compreende-o. Imagino que este espaço é real, e o Paraíso Perdido um cenário.

Estes momentos, que claramente foram os mais impressionantes no filme, para mim, estão pendurados numa história. Seguindo Dickens, essa história tem a ver com a história em si. Os personagens são manipuladores ou manipulados (ou ambos, no caso de Paltrow). É uma história sobre quem está a contar a história. Na construção cinematográfica (não na do livro), os personagens existem para servir a construção narrativa, e pessoalmente creio que, em cinema, é mais eficiente que seja dessa forma. Por isso temos dois narradores principais, mas só temos consciência de um, e Hawke também. É esse o truque, é inteligente e funciona.

Não gosto de Ethan Hawke, admito. Para mim ele não tem talento e, pior, ele actua de forma arrogante. Isto significa que ele não faz nada, mas realmente acredita que nos está a dar algo duradouro. Bem, normalmente esse tipo de actuações afastam-me (na linha de Freeman, Redford, o Cruise mais recente…) mas aqui, considerando que o papel do seu personagem na história, de duplamente manipulado, admito que é uma escolha perfeita. Tal como o actor, o personagem pensa que comanda, mas é na verdade usado. Gwyneth Paltrow é concentrada, iteligente, e parece-me que trabalha duro para integrar os seus personagens, mas o seu trabalho é invisível no produto final. E isso é fantástico…

A minha opinião: 4/5

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Blindness (2008)

“Blindness” (2008)

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Fantasporto
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branco espacial

A determinado momento nas suas vidas, muitos artistas sentem a necessidade de descer aos abismos da degradação humana, da ausência de humanidade (ou trocas de valores radicais). São as catacumbas de Piranesi, o inferno de Dante. Creio que o objectivo básico deste tipo de viagens não é tanto o imaginar uma realidade possível onde poderíamos viver, mas espelhar a nossa própria realidade, os pedaços podres das nossas existências tantas vezes ridículas. O exagero é um truque que os artistas usam bastantes vezes para realçarem o que querem passar. ‘Ensaio sobre a cegueira’, o romance, foi a descida de Saramago a essas catacumbas, o pedaço de escrita mais negro de um pessimista já negro e irónico (ou um optimista de um outro tipo de humanidade). Meirelles, que tinha já feito dois filmes negros, usa o romance para fazer a sua própria descida. Como curiosidade, ele admitiu que queria ter adaptado o livro antes e não o pôde fazer, e eventualmente acabou por adaptar Cidade de Deus. A mistura de ideias e mentes criativas aqui é poderosa, e o filme resulta como se pretendia. Esta é uma representação bem conseguida de um inferno possível, de uma realidade possível, da nossa própria realidade (?).

Antes de avançar para o filme, deveria dizer algo. Há um pequeno documentário brasileiro, praticamente desconhecido. Chama-se “Janela da Alma”. Tem a ver com visão, claro, é sobre observar, e o que significa para uma quantidade de artistas esse conceito, ver. Usar os olhos para conquistar o mundo, e expressar sentimentos. Entre outras pessoas e artistas interessantes que colaboram, refiro 2. Um é Saramago, que escreveu o romance deste filme. O outro é um fotógrafo cego (esqueci-me do nome) que fotografa por intuição, obviamente não se preocupando com o resultado final que ele não pode ver, mas fazendo fotografias como um meio de chegar ao mundo. É um conceito fantástico se pensarem nisso. Recomendo que vejam esse documentário, antes ou depois deste filme. Poderão encontrar coisas interessantes nele. No filme existe mesmo um momento em que o personagem de Ruffalo fotografa, “intuição de cego”, diz ele…

(possível spoiler)

Aqui os arcos dramáticos são semelhantes ao que temos em Irreversível. Aterramos directamente no inferno, na maior escuridão possível, desde o início, e subimos as escadas em direcção à luz à medida que avançamos. Por isso é que neste filme não temos exactamente um prelúdio dos acontecimentos. É um truque poderoso porque não nos permite ser racionais, como espectadores estamos tão no escuro (branco) como alguém que de repente perdeu a sua capacidade de ver.

Basicamente, o filme torna-se um estudo do que a civilização seria sem um dos seus pilares básicos, a visão. “what would happen if…?”. É um dispositivo simples e eficiente e, porque lida com a visão, e o jogo de a retirar, é puramente cinematográfico, literalmente visual. Meirelles obviamente percebeu-o, por isso é que ele queria adaptar o romance desde o início. Tudo o que acontece é a consequência de não ver. Várias coisas podem ser concluídas: depois do choque inicial da perda de visão, as pessoas adaptam-se, e criam conflitos, hierarquias, novos conflitos e novas hierarquias, mas é suposto identificarmo-nos com o que vemos (e se têm uma consciência, vão-se identificar). Novos grupos são formados, novas amizades, novas “famílias”.

Meirelles é um realizador extremamente visual. Aqui, ele faz muito mais “enquadramentos” que nos anteriores, onde as suas capacidades concentravam-se mais no ritmo (edição). Claro que aqui também temos pedaços fantásticos de edição, logo desde o início. Mas é muito mais arquitectónico na sua abordagem. Afinal, o tema de perder a visão e relacionar-se com o mundo é puramente espacial. É uma questão de como relacionar-se com um mundo concebido para ser visto. Sendo um arquitecto, Meirelles certamente aprecia esta questão melhor que outros realizadores.

Assim, o jogo visual que ele joga é espaço, e cores (p&b). A fotografia é altamente depurada, contrastante quando tem de ter contraste, mas sobretudo desenvolvida com imagens sobre-expostas, quase brancas, e a total escuridão, que até existe literalmente durante 30 segundos numa cena específica, quando Julianne Moore procura comida na cave.

As actuações são boas, Julianne Moore está no topo do jogo na forma como é intensa sem explodir demasiado, e na forma como nos mostra uma face enquanto nos sugere que o seu personagem tem outras faces. Assim, ela é líder, literalmente na história, já que é a única que vê. Todos os outros jogam o jogo, excepto McKellen que demasiadas vezes é apenas arrogante como actor, do tipo que acredita que todo o filme (e todos os filmes) têm que ver acima de tudo com actores. Estranho tendo em conta que ele também foi argumentista neste filme. O personagem de Glover foi interpretado por Meirelles como um alter-ego de Saramago. A sua actuação é bastante boa apesar de ter tempo limitado, e a voz off tem o tom certo. Uma curiosidade interessante é que quando o vemos pela primeira vez, ele ouve o rádio, e o que ele ouve é português europeu. A voz off e o rádio são os detalhes que Meirelles usa para nos indicar quem é o seu narrador designado, a presença de Saramago no ecran.

Meirelles refere que cortes anteriores do filme tinham um efeito mais repulsivo, mais negro e chocante e que, por influência do estúdio, ele suavizou a versão final. Creio que ele poderia ter carregado um pouco mais do que o que fez. Também era sobre isso que tratava a história.

A minha opinião: 4/5 o filme não mudou a minha vida, mas certamento criou uma marca duradoura em mim.

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Number Seventeen (1932)

“Number Seventeen” (1932)

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3 visões

Se este tivesse sido o último filme de Hitchcock, teria hoje apenas um pequeno interesse histórico. Mas porque ele seguiu para realizar obras como a Corda ou A Janela Indiscreta, este pequeno filme (e outros) tornam-se importantes para nós compreendermos onde a sua câmara curiosa começou.

Quero ver outros filmes de Hitch deste tempo, mas agora mesmo, para os meus olhos, neste momento ele estava fortemente ligado a 2 concepções visuais específicas, enquanto tentava desenvolver a sua própria.

Assim, temos contrastes fortes, onde as sombras controlam as acções, ou objectos, ou mesmo personagens, e isso defino o modo da acção, seguindo o expressionismo alemão (que mais tarde seria o suporte perfeito para as construções narrativas do filme noir). Neste campo, Hitch não era um génio, mas dominou-o bastante bem. Isto está presente na primeira parte do filme, na casa.

Ele também segue Eisenstein, e a secção do comboio é uma montagem bastante boa. Ele utiliza bem os modelos, e a edição tem um bom ritmo e balanço. Uma vez mais, ele é competente.

Mas o melhor é a primeira parte do filme: o movimento da câmara. Aposto que ele escolheu aquela casa com aquele poço de escadas para poder jogar com o que lhe interessava mais. A câmara move-se e explora espaço, a cena em que o detective (e nós próprios) entramos na casa pela primeira vez é uma demonstração precoce do que a sua ‘fase Corda’ traria. O primeiro terço do filme consiste basicamente em subir e descer as escadas, descobrindo coisas, explorando-as com a câmara.

A sua estratégia ‘McGuffin’ é uma trapalhada aqui, ele ainda não era capaz de engendrar um enredo suficientemente simples e eficiente para que o possamos esquecer e concentrar-nos no que ele faz, no olho. É confuso, e tão complexo (tantos personagens desnecessários!) que corremos o risco de tentar compreender o significado de tudo. Bem, eu não me interessei, e apreciei o filme pela manipulação visual que Hitch faz.

Este filme está partido em pedaços (começando com o enredo) e dividido por tendências cinematográficas. Cada pedaço é suficientemente competente, mas o resultado global é bastante trapalhão. Bem, ele estava a experimentar.

A minha opinião: 2/5

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Batman Begins (2005)

“Batman Begins” (2005)

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Entrar no filme

Nolan e Bale são dois dos realizadores-actores que mais me interessa seguir hoje em dia. Neste momento fazem um bom par, e para além dos renovados Batman (dos quais só vi este), fizeram o muito bom Prestige. Este par torna, para mi, o projecto interessante.

O que fizeram aqui foi ambicioso, sério, e não falhou. Aparentemente, Nolan queria mesmo fazer parte disto, e falou com a Warner Bros. em primeiro lugar. Ele sabia que podia trazer algo ao filme de super-herói, e provavelmente o Batman encaixava melhor naquilo que ele gosta de fazer. É um super-herói autoinventado, não foi criado por acidente, e no processo de criação da sua máscara (que é Batman ou Wayne?) há uma questão de procura interna, ao contrário de, por exemplo, IronMan, que joga à ciência com o próprio corpo. Assim, na visão de Nolan, nós precisamos de um actor que possa actuar, e vários artifícios cinemáticos e de concepção que funcionem. Temos todos esses dispositivos apontados aqui, ainda que sem sucesso total. Se considerar o top 250 do IMDb neste momento onde temos Dark Knight em 4º lugar, provavelmente resolveu os problemas nesse. Mas por outro lado, Shawshank Redemption está em primeiro.

cidade: a concepção do filme tem muito a ver com a cidade em si. Há claramente a intenção de criar algo desligado dos filmes anteriores – “realista”, nas palavras de Nolan. Por isso a cidade é modelada a partir de Chicago, algo que podemos reconhecer, e tem um manto negro que cai sobre ela, de decandência, bancarrota social, corrupção. Os espaços são bem explorados, e usados para o truque cinematográfico de que falarei.

Uma queixa: Gotham City costumava ser O mundo, no Batman. Nós nem sentíamos que havía um mundo fora dela, era autosuficiente, e equilibrada, como um mundo fechado onde tudo nasce. Tenho pena que não tenha sido mantida assim.

cinema: para lá das sequências hollywodescas do Wayne a treinar, o Wayne a aprender, o Wayne a construir fatos e encontrar lugares, há algo fantástico aqui. O enredo principal desenvolve-se ao redor de uma “liga das sombras” que tenta espalhar gás alucinogénico pela cidade. Esse veneno faz as pessoas verem tudo tornar-se os seus piores medos. Perdem o sentido da realidade, e começam a fraccionar a sua própria visão, e a não compreender/exagerar o que vêm. A edição e o ritmo do filme estão construídos de acordo com isto, por isso nos momentos mais activos, sentimos o filme como as pessoas de Gotham provavelmente sentiam o que viam. Tornamo-nos espectadores activos, e isso é muito bom. Só se sente em alguns pedações, e essa é a falha. A maioria do tempo é passado a construir o mundo do morcego, e as profundezas de Wayne. Gostava de ter tido mais dos pedaços alucinogéncios, mas escolho algumas sequências deste filme para ver várias vezes. Christian Bale está nesta viagem, ele sabe o que está a acontecer, e permite que isso aconteça. Grande trabalho. Isto é o que o cinema anda a fazer de novo ultimamente. Fazer-nos entrar no jogo.

A minha opinião: 4/5

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Das Leben der Anderen (2006)

“Das Leben der Anderen” (2006)

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motivos para ser Humano

Um dos pensadores vivos que mais admiro é George Steiner. Ele é um homem de grande inteligência na forma como sabe porque o conhecimento é significativo, e porque é importante Conhecer. Entre outros temas que têm sido uma constante na sua vida, um tem estado comigo todo o tempo desde que Steiner o mostrou: a contradiçao brutal entre acçoes humanas ou, como ele diria melhor; como pode alguém chorar de noite, profundamente comovido por uma sonata de Schubert, e na manha seguinte friamente ordenar o assassínio de milhares de pessoas.

Este tema fundamente esteve vivo na minha cabeça todo o tempo, durante este feliz e deprimente filme. Há mesmo uma referência directa ao tema nele. Assim, o tema aqui é como os significados da arte, ou a simples referência a ela podem influenciar uma mente treinada para Nao ser influenciada e mecanicamente Nao se comportar humanamente. Mentes treinadas para confiar naquilo que lhes ensinam.

A forma como isto é montado é com uma das construçoes cinematográficas mais subtis que tenho visto. O foco está nos artistas, reprimidos, subjugados por um regime repressivo. No mundo enquadrado pelo filme tudo gira em torno deles. Esses artistas sao espiados, constantemente. Nós vêmo-los, e nessa visao temos a companhia de alguém cujo trabalho é literalmente observar. Ele começa com inumanidade fria (a primeira cena assegura isso), observaçao obcessiva, que esse regime provavelmente consideraria simplesmente ‘profissional’.

No caminho, ele envolve-se com o sujeito que observa (vidas modeladas pela arte). Várias coisas sublinham isto: a Arte transforma a sua mente ao ponto de el jogar duplo e começar a escrever uma história inventada para proteger a história real que o escritor está a escrever; ele rouba um livro do sujeito a quem observa, e lê-o secretamente em casa; ele pede a uma prostituta para ficar com ele mais tempo que o acordo previa, basicamente para ser mais que sexo. Por fim, ele reescreve o final de toda a história ao esconder um objecto proibido (uma máquina de escrever!) entrando assim secretamente e mudando a vida do artista.

Temos aqui uma expressao perfeita do perigo do verdadeiro compromisso com a arte, essa que abraça ideias que interessam.

A câmara é subtil, move-se a maioria do tempo, o seu movimento nao concentra atençoes, mas adiciona sempre algo à tensao do momento, sobretudo com travelings subtis. E vejam o uso do espaço. Vejam como o interior do apartamento é usado, como a cinematografia cuidadosamente captura todas as nuances e como eles aumentam e diminuem o espaço interior, de acordo com o que os personagens sentem. Depois notem como a humanidade desse ambiente colorido contrasta com o sotao onde o observador está, e mesmo como ele abstractamente recria o espaço em baixo, pelo som dele.

Ulrich Mühe realmente teve um envolvimento tocante e uma actuaçao inteligente. Pena que nos tenha deixado tao cedo, aqui vale realmente a pena vê-lo, e actua totalmente no campo que me impressiona mais: o da subtileza, esse tipo de actuaçoes feito com grande expressao retirada de movimentos imperceptíveis. Muito do que passa está na sua cara, tantas vezes cuidadosamente enquadrada.

O rescaldo de tudo acontece quando o artista escreve um livro, supostamente sobre a história que vimos. Como se o filme tivesse sido na verdade feito a partir desse livro. Tive sorte por ver um filme assim. Que privilégio.

A maioria das vezes, aprecio um filme pelas suas qualidades como veículo para novas/interessantes formas de passar uma história, ou por como a sua qualidade/apresentaçao visual me dá temas para sonhar. Este funciona nos dois aspectos anteriores, mas fá-lo num tema que interessa. Isso é tao raro.

A minha opiniao: 5/5, vejam se querem sentir-se mais humanos.

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve

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