“The Resident” (2011)
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*** este comentário pode conter spoilers ***
Primeiras obras são sempre um tema delicado para quem as faz. Devem correr muitos riscos? ou devem apenas tentar ser competentes e deixar altos voos para depois? Os princípios dos grandes realizadores não nos ajudam a decidir. Welles ou Godard começaram com abordagens fracturantes. Mas os Coen ou Kubrick começaram a trabalhar com narrativas deliberadamente convencionais, desenvolvendo qualidades, explorando territórios conhecidos, antes de quebrar as regras. Começar numa produção de relativo alto orçamento como esta, no meio do poço de fazedores de dinheiro de Hollywood pode piorar as coisas para aqueles que querem experimentar. Resta-lhes tentar realizar bem os clichés do género no qual vão trabalhar.
É aí que temos este filme. Uma produção menor de uma indústria maior, protagonizada por um nome bem conhecido, uma estrela, que também produz, e que certamente permitiu que este filme avançasse. Os produtores não correm riscos. Nenhum. Isto é cinema segundo a cartilha. Passo por passo, desde os créditos iniciais à Saul Brass, até ao desenvolvimento previsível do enredo, sabemos exactamente onde estamos e para onde vamos, em cada momento. É mais ou menos competente nisso. O suspense é mecânico, as actuações apenas toleráveis, mas o arco aparece como deve, e por isso este filme enche bem o tempo que gasta.
Dois conceitos poderiam ter sido interessantes, mas foram desperdiçados. Um é como Christopher Lee é colocado aqui. Temos aqui um tipo associado a um certo papel. Ele é o que recordamos dele. Colocado como ele foi no início do filme, podemos adivinhar o twist (ele ser inocente), mas a forma como isso nos é revelado deveria ter sido um ponto alto do filme. Mas não, ele simplesmente está lá… até deixar de estar. Que pena, incluir Lee apenas para o incluir.
A outra coisa é a oportunidade perdida de fazer da arquitectura uma parte da textura. O apartamento, o lugar na cidade É sedutor. O edifício não é especialmente bom, mas as entranhas aparecem interessantes no olho da câmara. Mas o espaço não tem absolutamente nenhum papel no enredo. E deveria ter… confiem nisto: a actuação é importante, a edição é fundamental. Mas não conseguimos criar suspense eficiente e durador sem considerarmos o espaço físico das acções. É uma questão de agarrar a audiência e colocá-la Na cena. Isso falhou aqui, e o pior é que parece que quase conseguia acertar.
A minha opinião: 1/5






