“Big Bang Big Boom” (2010)
parkour cinematográfico
O nascimento de qualquer novo meio, um novo canal para exprimir as mesmas sensações de sempre de uma nova e fascinante forma é algo que devemos sempre aplaudir. É uma coisa tão rara que quando assistimos a ela, não podemos evitar gozá-la com todos os prazeres de uma iniciação. Nas últimas décadas, tivemos uma panela de culturas urbanas em ebulição pelas melhores cidades do mundo: Nova Iorque, Londres, Berlim, Paris… em Paris assistimos ao nascimento de um novo tipo de dança, todo um conjunto novo de movimentos criados para estabelecer uma relação entre o corpo e o ambiente, o humano e o ambiente urbano, humano também mas descontrolado. Isto realmente foi um feito cultural espontâneo e notável, sendo a cultura seja o que for que as pessoas façam para conquistar o seu ambiente. É arrojado, é radical, e aprecio o parkour, como tem sido chamado.
Em relação ao parkour, algumas pessoas ficam entusiasmadas com as qualidades físicas necessárias para a sua execução, outros com a suavidade dos movimentos de dança. Eu reparo nesses dois aspectos, mas para mim o que é realmente bom é a forma como o conjunto de movimentos dos praticantes lhes permite contornar qualquer contexto: escadas urbanas de betão, muros altos, telhados. É o ambiente que sugere os movimentos que observamos.
É isso que temos neste filme. Podemos ficar fascinados simplesmente com o feito de o filme existir. Imaginem a logística impressionante que permitiu a estes tipos pintar e fotografar cada uma das imagens necessárias para produzir o efeito stop-motion. Observem a qualidade individual dos desenhos. Considerem até a qualidade e imaginação inerente a cada uma das narrativas desenvolvidas por essas imagens. Eu faço isso, e acho que é uma experiência muito boa. Mas depois coloco isso contra o controlo de vários espaços, sobretudo urbanos. Muros que se pintam, pintas que se movem ao longo de tubos, caranguejos que começam como desenhos no chão até chegarem à areia, e aí se tornam desenhos numa praia. E uma cena de mestre que representa uma versão da evolução do homem ao redor de um cilindro enferrujado.
Considerem as possibilidades, considerem este filme. É uma grande experiência.
A minha opinião: 4/5




