“Gran Torino” (2008)
crepúsculo
*** spoilers ***
Podemos ver este filme como ele é, como se nos apresenta; é como quem diz, com o apelo as audiências que a história transporta: -imigração numa visão contemporânea, encarar as sociedades ocidentais como instituições em transição, até ao ponto em que os bairros em tempos tranquilos do american way of life são ocupados e revividos pelas famílias dos países em tempos inimigos. -A promessa tensa de acção que nunca se verifica mas que transporta o filme. Como entretenimento, o filme vale o bilhete porque nos perguntamos sempre o que surgirá a seguir, mesmo que nada venha realmente a acontecer (num sentido gráfico e físico). Por isso a promessa tensa de acção, que afinal nunca deixa de ser drama. Bom jogo de géneros.
Podemos ver este filme no contexto das visões políticas de Clint Eastwood, dentro do lugar que os conflitos raciais e de gangs ocupam em áreas suburbanas como a do filme. podemos ver este filme como “político” ou de “orientação social”.
Podemos escolher ver algum dos filmes que descrevo acima, ou considerar outras camadas. Eu quero ver este filme como um passo sólido do trabalho de Clint, o realizador. Para mim, este filme é claramente um do crepúsculo da sua carreira. Não porque ele já não seja novo, mas porque este filme é tanto sobre a carreira de clint como actor como é sobre o seu próprio cinema. Por isso é que temos o personagem dele como uma paródia de todos aqueles polícias e cowboys duros e irascíveis, de Leone a Siegel. O engraçado é como esse personagem se torna o seu próprio anti-personagem no final. Como o tipo “feel lucky punk” duro acaba por não ser violento para derrotar os maus. Isso é certamente um twist muito para lá da simples surpresa de nos sentirmos enganados quando vemos o filme. Espero que Eastwood viva para fazer mais uma dúzia de novos filmes, mas este filme tem o sabor de uma conversa tranquila entre um realizador e a sua audiência, como os últimos Kurosawa ou Welles, ainda que Eastwood esteja muito longe da importância do trabalho desses 2. Mas a carreira de Clint é sem dúvida um carro clássico, que vale a pena conduzir e ver. E não tem a ver com a performance, tem a ver com o comprometimento.
A minha opinião: 4/5

