“Klotz & Klumpen” (2008)

tem tudo que ver com os olhos
Esta é uma das formas mais engraçadas de trabalhar o humor com animação: desenvolvimento de personagens. Neste caso, falar de desenvolvimento de personagens não tem o significado habitual que usamos em cinema. Não tem a ver com profundidade, com motivações, com ter personagens a descrever arcos de evolução. Em animação, para mim, desenvolver um personagem significa explorar as expressões, nas caras, nos movimentos corporais, permitidos pela própria forma escolhida para cada personagem. Tem a ver com a exploração das possibilidades plásticas das formas. Este filme engraçado é um exercício simples desse tipo de exploração.
Verifiquem o cenário. Uma paisagem vasta de neve, uma estrada, e uma paragem de autocarro. Tudo renderizado de forma muito simples, parece-me que foi intenção descomplicar os elementos que vemos, para que pudessemos concentrar-nos no que interessa, os personagens, Chump e Clump. Um é um paralelipípedo suavizado, o outro é simplesmente redondo. Por si só, isto já lhes dá características diferentes. Depois, a maior parte da piada está naquilo que eles fazem com os olhos. A expressão dos olhos, os capilares vermelhos causados pela ressaca, olhos que sorriem, olhos desesperados, olhos tristes, olhos chorosos. Tem piada, muita. Muito bom trabalho. Vejam-no, este filme está a milhas dos renders perfeitos dos grandes estúdios de animação de hoje (Pixar e Dreamworks). Mas estes tipos sabem o que faz os personagens serem engraçados, não precisam muito mais do que as ferramentas básicas.
A história encaixa bem naquilo que eles queriam fazer com os personagens e o cenário. Por isso é que temos cogumelos mágicos colocados para que se pudesse construir uma ficção alucinogénica com os personagens. Muito bem.
A minha opinião: 4/5
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