“Cape Fear” (1962)

velhos jarrões
Remakes, ou filmes que foram refeitos, são uma boa experiência apenas por esse facto. Se vimos ambos, podemos ver 2 filmes em paralelo, e o filme reflexivo de imaginar como o segundo filme foi feito, o que estavam os “refazedores” a pensar. Foi assim que vi este. Já tinha visto o remake de Scorcese, antes de ver este, a partir desse momento nunca poderia ver este de forma isolada, no lugar que ele ocupava sozinho. Apenas posso imaginar.
No entanto, imaginei o que estaria Scorcese a pensar. Creio que a intenção dele não era outra senão uma questão de actualização, e cumprir o que na versão original era apenas sugerido. Tudo era mais gráfico em 1991, claro, por isso Scorcese actualizou a violência, e mostrou o que as audiências apenas estavam preparadas para serem levadas a crer, em 1960. Mas a grande coisa que Scorcese fez foi introduzir a tensão entre o Max Cady e a filha. Juliette Lewis realmente impressiona. Neste original temos o desejo sexual do personagem de Mitchum, mas é unilateral, uma simples atracção de uma mente suja a uma criança inocente. E esta é basicamente a questão:
nesta versão antiga tudo é uma questão de bem-mal. É uma abordagem mais pobre (até os motivos para a vingança são menos dúbios do que na versão de Scorcese). Bem, até os actores são menos flexíveis do que aquilo que pedimos a um bom actor moderno. Peck e Mitchum nasceram ambos artisticamente para um cinema em que o “personagem” era algo que era parte das suas personalidades como “estrelas” assim como dos seus papéis. Por isso a actuação deles é rígida, e muito limitada. Eles estão ali para exibirem os seus personagens públicos. Assim, por exemplo, se consideramos Mitchum, ele não está a tentar convencer a audiência de um certo tipo de maldade sofisticada. Ao invés, ele está a dar-nos um perfume de dureza maléfica enquanto tenta ser ele mesmo: o “Homem” bruto mas sedutor. Peck tem a vida mais facilitada, é suposto gostarmos dele por isso ele só tem de ser ele mesmo.
Este é um filme que perdeu as ambiguidades e buscas morais do filme negro original, mas que ainda não chegou a nenhuma nova fase, que inclui actuações modernas (o efeito Brando não se aplicou a estes tipos) e novas formas de construir narrativa. Para mim, soa simplesmente desactualizado, e não me disse muito.
A minha opinião: 2/5




