“Sukkar banat” (2007)

Doçura
Este filme é tão sedutor como as mulheres q mostra. Mulheres que realizam é um campo que não explorei muito até agora, e penso que pode ser recompensador, pelos exemplos que tive até agora.
O filme é, como se sabe, libanês, realizado por uma mulher, e representa mulheres livre-pensadores. Isto é suficientemente curioso para o ver, e um marco num país que, não estando tão imerso em fundamentalismos como outros países islâmicos, ainda é bastante ensombrado por ele. Assim, há uma linha de comentários sobre o filme que exploram esse tema. Eu dispenso-os.
O que me interessou aqui foi a doçura de tudo. Doce como caramelo? Claro, mas mais. Há verdadeiras urgências, verdadeiros temas fundamentais que são debatidos, sem serem mencionados directamente, já que são contados visualmente, e esse é o ponto doce que aprecio profundamente.
Não há divagações depressivas e pseudo intelectuais, apenas necessidades reais destas mulheres, com preocupações honestamente existenciais, que ultrapassam fundamentalismos, opressão de mulheres ou “sentimentos”. Aquilo porque as mulheres lutam é uma forma de ser, uma forma de viver, elas procuram o seu próprio ambiente; esse ambiente que o filme em si tem (cinematografia belíssima). Cada uma destas mulheres contorna adversidades (a falsa virgem, as lésbicas) ou encaram-nas directamente e seguem em frente (a mulher mais velha, a protagonista). Assim, num certo sentido, as histórias que vemos é provavelmente a própria história da criação deste filme. Apesar de ele ter um apoio francês, adivinho que Labaki contornou e ultrapassou directamente preocupações existenciais semelhantes enquanto o criou. Bem, ultrapassou-as bem, para mim.
É bom ter mulheres filmadas, talvez o cinema possa tornar-se a melhor forma de vermos mulheres pelos olhos das mulheres, literalmente. Pela minha curta experiência em filmes de mulheres, é um olhar muito menos erótico, mas que prescuta a sua alma com mais profundidade. Posso viver com isso.
A minha opinião: 4/5






